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Identidade Visual nas Sociedades Contemporâneas

Com as alterações comportamentais, próprias de uma sociedade contemporânea, os sistemas de identidade visual e os seus signos constituintes devem ser estudados de forma minuciosa, com enfoque reflexivo sobre como as mensagens devem ser transmitidas para que estas sejam devidamente compreendidas e assim, os consumidores facilmente percebam a necessidade ou utilidade dos bens que têm à disposição, numa “aldeia global” (Mcluhan), onde abunda a quantidade e multiplicidade de produtos e serviços.

Neste contexto, é fundamental que as linguagens gráficas adotadas para comunicar as marcas, estabeleçam relações marca-consumidor, pois a passagem de informação per si, atualmente não chega, há que interagir de forma a que os consumidores percebam conceitos intrínsecos às marcas e estabeleçam ligações emocionais com as mesmas.

Para que esta dinâmica seja uma realidade é necessário construir sistemas de significados, para significantes que assentam em teorias intangíveis, como desejos, por exemplo, que são produzidas quando se percepciona o objecto e que devem ser contínuas na ausência deste, ou seja, que a sua representação simbólica continue a estimular a apreensão dos conceitos no destinatário.


Uma Imagem Vale + que 1000 PALAVRAS, porquê?

A linguagem gráfica assume um papel preponderante na formação de Significados, através de Símbolos, que representam graficamente Objectos ou Significantes, que por sua vez correspondem a Signos, com esta dinâmica se criam os processos de Significação nos Destinatários relativamente aos Signos que, neste caso específico, identificamos como Marcas, constituídas por uma série de conceitos teóricos (intangíveis) que ganham Imagem na mente do Consumidor através da sua representação gráfica, que por sua vez deverá ter associado um conjunto de cores, formas, logótipos, etc., para que a Imagem de Marca seja transmitida de forma fiel e leve a processos de Significação que espelhem o Objecto ou Significante, ou seja, a parte física do Signo.

imagem vale mais que 1000 palavrasA Comunicação Visual torna todo este processo de Significação mais eficáz, num mundo em que o real é constantemente representado simbolicamente e em que as imagens assumem o papel de substituição dos signos, na constante apreensão e reconstrução de significados de objectos que acontece a cada contacto com o real ou com a sua representação simbólica (na ausência do objeto), uma vez que cabe à Comunicação Visual codificar simbolicamente as mensagens para o destinatário e contribuir para a evolução cultural da sociedade através de uma das atividades humanas mais importantes que é a comunicação.

Por Comunicação Visual entedemos todo um conjunto de imagens visuais observáveis ao olhar, ou seja percetíveis à visão que emitem mensagens. Estas mensagens podem ser intencionais, caso sejam transmitidas de forma consciente e utilizando um código para enviar informação precisa ao(s) recetor(es), com o objetivo de ser totalmente compreendida, ou, podem ser mensagens causais, que são livremente interpretadas por recetores, sem que tenha existido intenção de comunicar por parte do emissor.

Todos os dias contactamos com milhares de marcas, desde que acordamos e carregamos num simples botão para desligar o despertador da marca X, até nos deitarmos e desligarmos o candeeiro da marca Y. Para além da parte física da marca, que se torna mais efetiva estreitando relações com o utilizador, através do contacto direto, existem também contactos com as suas representações, estas mais voláteis e efémeras, repletas de mensagens codificadas por símbolos ou conjuntos simbólicos normalmente designados por Design de Comunicação, cuidadosamente concebido por profissionais para emitir mensagens intencionais e produzir significados aos seus destinatários, função que é de extrema importância para a construção da Imagem de uma Marca.

É através de códigos que são emitidas mensagens equivalentes a signos, as mensagens permitem que os vários signos se relacionem, partindo do princípio que tanto o emissor como o recetor conhecem o código, ambos se inserem num processo de comunicação recorrendo a um canal de transmissão, neste processo aplicam regras e atribuem significados aos signos.

Para além dos elementos que descrevemos até aqui, temos também que ter em conta o processo de aculturação, este prende-se com o sistema social constituído por um grupo (mais ou menos) homogéneo de indivíduos que por sua vez podem agrupar-se em subgrupos. Falamos então da sociedade da qual faz parte cada indivíduo com a qual interage, num sistema aberto de trocas, sejam costumes, hábitos, crenças, regras, etc.

Todo e qualquer ser humano é um organismo bio-socio-cultural, o indivíduo é o resultado do somatório do seu património genético e património socio-cultural, assim, identificamos à priori que, durante o processo de comunicação a compreensão de uma mesma realidade, ou signo, pode ter significados diferentes, para indivíduos provenientes de aculturações diferentes, o processo de comunicação deve ser entendido como um sistema influenciado por fatores externos, não podendo ser encarado como um processo mecânico entre as suas componentes (emissor-código-mensagem-canal-recetor), mas sim um processo que se insere num contexto. Este contexto, de extrema importância, irá influenciar os resultados da significação, pois a percepção de difrentes indivíduos pode ser díspare para um mesmo signo, devido às diferentes perceções cognitivas.

A forma desejável para que uma mensagem atinja os seus objetivos é ter todas estas variáveis em conta e controlá-las, embora muitas vezes nos deparemos com alguns constrangimentos, no que concerne, principalmente ao contexto da cultura, pois este pode deturpar a descodificação ou até causar ruído no processo de comunicação da mensagem. Como exemplo disso, podemos apontar hábitos alimentares: seria desastroso passar um spot publicitário ocidental da Marca McDonalds na Índia.

Reunir as condições ótimas nem sempre é fácil, mas é uma tarefa que devemos encarar como um desafio, em que todos os intervenientes devem ser cuidadosamente analisados, assim como os elementos representativos, nomeadamente os visuais, pois estes são os que mais contribuem para conceber significados correspondentes e fiéis à realidade, que no caso das Marcas correspondem à sua Identidade Corporativa.

Estas representações, ou Signos Identificadores Institucionais, constituem-se num sistema de mensagens e recursos significantes complexos, que se manifestam em todos e em cada um dos seus componentes (logótipos, símbolos, mascotes, cores institucionais, grafismo complementar, signos acústicos, arquitectura, comunicações internas e externas, etc.).

Neste sentido suscitam, por sua vez, nos seus públicos (recetores), uma determinada opinião ou conceção (reconhecimento, diferenciação, valorização, proximidade afectiva, etc.), pelo que é preponderante proceder a um estudo e análise 360º da Marca ou Instituição de forma a perceber todo o seu enquadramento, conseguir definir os seus traços de personalidade e a forma como se comporta no seu contexto.

Para completar e cimentar toda uma série de conceitos que por vezes são difíceis de transmitir, recorremos à representação gráfica da Imagem Institucional que, em conjunto com os elementos anteriores formam um Sistema de Identificação Gráfica das Instituições, que resultam normalmente do somatório e articulação de todas as componentes: Os Logótipos ou Representações Visuais.

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